terça-feira, 11 de janeiro de 2011

exatidão

Estava pensando em como tudo muda rapidamente. Como um passo de mágica o que estava ali pode não estar mais. Como o tempo é volátil. Ou como o mundo gira e gira, e nunca para.
Parece sempre estar em órbita. Tudo em paz e tranquilo como deve ser. Como o destino caminhando em seus trilhos, ordenadamente. Onde tudo funcionasse como deveria e quando deviria, sem nunca parar, até que se desejasse.
O ponteiro de um relógio em suas voltas continuas e sua dura rotina. Como quase rítmica pode ser o cotidiano do singular. E como as pequenas coisas passam despercebidas em meio à imensidão do grande nada.
Como um ponto de luz pode significar a eternidade. E as memórias imóveis, imutáveis e estagnadas no tempo. Cicatrizes que não se apagam. Como se o “para sempre” existisse e não fosse apenas mais um faz-de-contas, onde a realidade pode ser sonhada.
Quem dera a pouca exatidão dos sentidos em minha cabeça coubesse na realidade do sistema que pouco-a-pouco vai desandando até a lentidão da imperfeição do não poder existir na imensidão de um oceano, cujas águas não têm fim.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

menos que um mês

a saudade é o que ficou

o ciúme poe fim no que restou



se tão pouco do amor existiu

de tão breve subtraiu



traiu.

foi o suficiente para acabar.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

uma boa leitura

"Nao julgue um livro pela capa", ouço isto do meu pai desde pequena. Concordo.
Nunca realmente sabemos o que vamos encontrar no enredo de uma história, a não ser que ela seja contada a nós primeiro. E às vezes mesmo sabendo o fim, podemos nos surpreender, ter uma releitura da mesma história, uma nova interpretação, encará-lo com outra visão... nos fazer acreditar em um novo final.
Claro, existem as resenhas, mas elas nos dão apenas o superficial do livro, o chamado teaser, e quem sabe se aquilo que nos é apresentado é verdade? Quem acredita na capa de um livro?
É difícil imaginar o que vem depois do prefácio ou da carta de apresentação. Esta parte talvez seja a pior do marketing do livro. O autor tenta nos convidar a leitura. É quase como conhecer o pai de seu namorado e ele falar: “Meu filho é perfeito, tem inúmeras qualidades!” Lógico, pois foi ele quem o fez.
Os primeiros capítulos são muito importantes, mas sempre querem te conquistar. Não acredite neles. Nunca mostram realmente a história, apenas no final saberemos como realmente é o livro. Muitas vezes começamos a ler um livro achando ser um romance e do meio para o fim descobrimos que se trata de um suspense.
Ah, o clímax. O ápice do livro. O ponto alto de uma relação. A chegada daquela parte da leitura em que você deseja que dure para sempre. Quando menos espera, ela acaba. E você percebe que duraram apenas algumas páginas, e não capítulos como havia imaginado.
O mais importante mesmo para definir se você gostou ou não de um livro é o final dele. Um fim mal acabado não é bom. Nunca ninguém recomenda, e quando o vê na livraria o crítica para quem estiver por perto ouvir. E ao contraio de um livro com um final surpreendente e emocionante rende bons elogios, boas recordações e recomendações – mesmo que enciumadas.
Mas na verdade é que bons autores com best sellers a venda está cada vez mais difícil de se encontrar.
Talvez partir pra historias em quadrinhos ou crônicas esteja mais fácil.
Afinal, quem acredita em um livro pela capa?